O avanço da NR-1 e riscos psicossociais nas empresas brasileiras
A NR-1 e riscos psicossociais passaram a ocupar um espaço cada vez mais estratégico dentro das empresas. A saúde mental agora também integra obrigações regulatórias, práticas de compliance trabalhista e decisões importantes do RH.
A partir de 26 de maio de 2026, a atualização da NR-1 passa a exigir oficialmente que empresas incluam os riscos psicossociais dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais. Na prática, isso significa que fatores como burnout, assédio moral, jornadas excessivas, pressão constante e ambientes organizacionais adoecedores passam a ter relevância direta na gestão trabalhista das organizações.
Mas a verdade é que esse movimento não surgiu do nada.
Os tribunais brasileiros já vinham demonstrando, há anos, o crescimento acelerado das ações trabalhistas relacionadas ao adoecimento mental no trabalho.
Um estudo da Predictus mapeou 22.815 processos trabalhistas relacionados ao burnout entre 2016 e 2026, totalizando R$9,94 bilhões em causas judiciais e mais de 11 mil empresas envolvidas.
O que antes era tratado como uma discussão sobre bem-estar corporativo passou a representar:
- risco jurídico,
- exposição reputacional,
- aumento de passivos trabalhistas,
- impacto previdenciário,
- e pressão regulatória crescente.
Empresas não estão mais lidando apenas com saúde mental. Estão lidando com risco operacional.

O que muda com a NR-1 e riscos psicossociais em 2026
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece as diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho no Brasil.
Com a atualização promovida pela Portaria MTE nº 1.419/2024, o gerenciamento de riscos ocupacionais passa a incluir oficialmente os riscos psicossociais a partir de maio de 2026.
Na prática, isso significa que empresas precisarão:
- identificar fatores de adoecimento mental;
- mapear riscos psicossociais;
- documentar ações preventivas;
- revisar programas de gerenciamento de riscos;
- e demonstrar medidas concretas de mitigação.
Ou seja, o risco emocional deixa de ser invisível.
Agora imagine o seguinte:
se antes uma empresa já podia responder judicialmente por burnout, assédio organizacional ou jornadas abusivas, a ausência de documentação preventiva pode ampliar ainda mais sua exposição trabalhista.
E esse ponto tende a ganhar força nos tribunais.
Segundo o estudo da Predictus:
“A ausência de um Programa de Gerenciamento de Riscos com mapeamento documentado dos fatores psicossociais passa a ser, por si só, um elemento probatório favorável ao trabalhador.”
Isso muda completamente a forma como RH, compliance e jurídico precisam atuar.
O que são riscos psicossociais no ambiente de trabalho
Os riscos psicossociais são fatores organizacionais capazes de afetar a saúde mental, emocional e social dos trabalhadores.
Eles geralmente estão relacionados à forma como o trabalho é estruturado, cobrado e gerenciado.
Entre os principais exemplos estão:
- metas abusivas;
- jornadas excessivas;
- pressão constante;
- assédio moral;
- hiperconectividade;
- falta de autonomia;
- insegurança profissional;
- conflitos organizacionais;
- excesso de cobrança;
- ambientes tóxicos;
- ausência de pausas;
- sobrecarga operacional.
Em outras palavras, o problema não está apenas no indivíduo. Está também na forma como o ambiente de trabalho é construído.
Esse entendimento ganhou ainda mais força após a entrada em vigor da CID-11 em 2022, quando o burnout passou a ser reconhecido oficialmente como fenômeno ocupacional relacionado ao trabalho.
A consequência disso foi imediata:
o debate saiu dos consultórios e chegou aos tribunais.
O crescimento das ações trabalhistas por burnout no Brasil
Os números mostram que o burnout deixou de ser exceção.
A base da Predictus identificou uma curva de crescimento contínuo das ações trabalhistas relacionadas ao adoecimento mental no trabalho. O avanço dos processos ajuda a explicar por que os riscos psicossociais passaram a ganhar protagonismo na atualização da NR-1, que entra oficialmente em vigor em maio de 2026.
Abaixo, destacamos alguns dos marcos da série analisada:
| Ano | Processos trabalhistas | Valor somado das causas |
| 2016 | 943 | R$ 173,8 milhões |
| 2020 | 1.060 | R$ 273,5 milhões |
| 2022 | 2.855 | R$ 1,06 bilhão |
| 2024 | 5.999 | R$ 2,17 bilhões |
| 2025 | 4.940 | R$ 1,73 bilhão |
O levantamento considera dados coletados entre janeiro de 2016 e abril de 2026. Isso representa um crescimento de quase seis vezes no volume de ações trabalhistas em menos de uma década.
Além disso:
- o valor total das causas analisadas chegou a R$ 9,94 bilhões;
- mais de 11 mil empresas foram mapeadas;
- e 68,61% dos processos tiveram perícia confirmando nexo entre trabalho e adoecimento mental.
Cada vez mais, o burnout vem sendo interpretado juridicamente como consequência estrutural da organização do trabalho – especialmente em ambientes marcados por pressão excessiva, jornadas prolongadas, hiperconectividade e ausência de gerenciamento preventivo dos riscos psicossociais.

Para visualizar a evolução completa ano a ano, os recortes setoriais e os dados detalhados da pesquisa, acesse o estudo completo da Predictus.
Burnout raramente chega sozinho à Justiça
Existe um padrão importante nas ações trabalhistas relacionadas à saúde mental.
O burnout quase nunca aparece isoladamente. Segundo a análise da Predictus, os processos geralmente vêm acompanhados de:
- doença ocupacional;
- horas extras;
- assédio moral;
- rescisão indireta;
- estabilidade acidentária;
- e pedidos de indenização por dano moral.
Os assuntos processuais mais recorrentes foram:
- doença ocupacional (30,37%);
- horas extras (21,04%);
- rescisão indireta (15,67%);
- e pensão vitalícia em quase 5% das ações.
Na prática, isso revela que o adoecimento emocional frequentemente surge associado a ambientes marcados por pressão contínua, jornadas excessivas e desgaste organizacional.
Por isso, empresas que tratam burnout apenas como uma questão individual podem acabar ignorando sinais estruturais de risco.
Quais setores possuem maior risco relacionado aos riscos psicossociais
Nenhum setor está completamente protegido do avanço das ações trabalhistas ligadas à saúde mental. Mas alguns segmentos apresentam concentração significativamente maior.
O estudo da Predictus identificou maior incidência em setores como:
- financeiro;
- saúde;
- varejo;
- teleatendimento;
- administração pública;
- educação;
- supermercados;
- e serviços operacionais.
O setor financeiro lidera os indicadores de judicialização relacionados ao burnout. Já o setor de educação apresentou crescimento de 287% entre 2020 e 2024. Outro ponto importante é que grandes empresas concentram a maior parte do passivo.
Segundo o levantamento:
- 71% dos pares processo-empresa envolvem organizações de grande porte.
Isso demonstra que a escala operacional também amplia a escala de risco.
Uma política inadequada replicada em dezenas ou centenas de unidades pode gerar impactos nacionais simultaneamente.
Como os tribunais estão decidindo ações relacionadas ao burnout
A jurisprudência trabalhista vem consolidando entendimentos mais favoráveis ao reconhecimento do adoecimento ocupacional relacionado à saúde mental.
Segundo o estudo:
- 38,42% dos processos tiveram culpa reconhecida;
- e mais de 65% terminaram em procedência parcial.
O Tribunal Superior do Trabalho também vem fortalecendo o entendimento sobre nexo concausal.
Ou seja, mesmo quando o trabalho não é o único fator responsável pelo adoecimento, ele ainda pode gerar responsabilização do empregador caso contribua para o agravamento do quadro.
Esse ponto tende a ganhar ainda mais relevância após a entrada oficial das exigências da NR-1 sobre riscos psicossociais.
O impacto da hiperconectividade e da IA no adoecimento ocupacional
O estudo da Predictus também identificou um novo vetor de pressão emocional nas organizações: o medo da substituição pela inteligência artificial.
Segundo os dados apresentados:
- 76,6% dos brasileiros acreditam que a IA afetará parcialmente seus empregos;
- 33% temem não conseguir acompanhar os avanços tecnológicos;
- e profissionais dedicam, em média, 125 horas extras por ano para demonstrar valor profissional.
Isso ajuda a explicar o crescimento de:
- hiperconectividade;
- jornadas invisíveis;
- mensagens fora do expediente;
- redução de pausas;
- e sobrecarga contínua.
Em outras palavras, a tecnologia não eliminou a pressão emocional do trabalho. Em muitos casos, ela apenas mudou sua forma.
Por que a NR-1 muda o papel estratégico do RH
Durante muitos anos, saúde mental corporativa foi tratada como tema secundário nas organizações.
Agora, isso mudou.
Com a nova NR-1, o RH deixa de atuar apenas em:
- recrutamento;
- treinamento;
- clima organizacional;
- e desenvolvimento humano.
Passa também a ocupar posição estratégica na prevenção de riscos trabalhistas e reputacionais.
Isso exige:
- rastreabilidade;
- documentação;
- monitoramento de riscos;
- revisão de práticas internas;
- gestão de jornadas;
- treinamento de lideranças;
- e cultura preventiva.
A verdade é que empresas não conseguem mais atuar apenas de forma reativa. O custo jurídico do adoecimento ocupacional já é real. E ignorar sinais de desgaste organizacional pode gerar:
- aumento de passivos;
- crescimento do turnover;
- absenteísmo;
- presenteísmo;
- e deterioração da reputação corporativa.
Como dados judiciais ajudam empresas a antecipar riscos trabalhistas
O crescimento das ações por burnout mostra que as empresas precisam começar a olhar para riscos trabalhistas antes que eles virem processos. É aqui que dados judiciais ganham relevância estratégica.
Com acesso estruturado a históricos processuais, empresas conseguem:
- identificar padrões de litigiosidade;
- mapear áreas mais expostas;
- entender tendências setoriais;
- analisar riscos trabalhistas;
- fortalecer compliance;
- e apoiar decisões preventivas.
A Predictus atua exatamente nesse cenário.
Como o maior base de dados judiciais do Brasil, a plataforma entrega dados judiciais estruturados para decisões estratégicas, com consultas rápidas e orientadas à prevenção. São mais de 750 milhões de processos judiciais, com atualização contínua, abrangência nacional e conformidade com a LGPD.

Isso permite que RH, compliance e jurídico atuem com:
- mais previsibilidade;
- menos incerteza;
- e maior capacidade de antecipação de riscos.
Porque quando o assunto é passivo trabalhista, esperar o processo chegar costuma ser tarde demais.
Quer entender como isso funciona na prática?
A Predictus disponibiliza 5 consultas gratuitas para que sua empresa conheça a plataforma e entenda como dados judiciais podem apoiar decisões mais seguras em RH, compliance e gestão de riscos.
O burnout deixou de ser apenas um problema de saúde mental
Os dados mostram que o Brasil atravessa uma transformação importante na relação entre trabalho, saúde mental e responsabilização jurídica.
A NR-1 apenas oficializa uma mudança que já vinha acontecendo nos tribunais.
O burnout deixou de ser tratado como um problema individual e passou a representar:
- risco operacional;
- exposição jurídica;
- impacto financeiro;
- e ameaça reputacional.
Empresas que ainda enxergam saúde mental apenas como benefício corporativo podem enfrentar dificuldades crescentes nos próximos anos.
A nova realidade exige:
- prevenção,
- gestão baseada em dados,
- monitoramento contínuo,
- e tomada de decisão estratégica.
Consultar o passado para antecipar o futuro deixou de ser diferencial.
Passou a ser necessidade operacional.
FAQ – Perguntas frequentes sobre NR-1 e riscos psicossociais
O que muda na NR-1 em 2026?
A NR-1 passa a exigir oficialmente o gerenciamento dos riscos psicossociais dentro dos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas.
O que são riscos psicossociais?
São fatores organizacionais que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores, como pressão excessiva, assédio moral, jornadas abusivas e hiperconectividade.
Burnout pode gerar processo trabalhista?
Sim. O burnout pode fundamentar ações trabalhistas relacionadas a doença ocupacional, dano moral, assédio e indenizações.
Empresas podem ser responsabilizadas por burnout?
Sim. Os tribunais vêm reconhecendo responsabilidade empresarial quando há nexo entre o ambiente de trabalho e o adoecimento emocional.
A NR-1 aumenta os riscos trabalhistas das empresas?
A atualização aumenta a exigência de prevenção, rastreabilidade e gerenciamento documentado dos riscos psicossociais, o que pode ampliar a relevância probatória dessas medidas em ações judiciais.
Como o RH pode reduzir riscos psicossociais?
Mapeando fatores de risco, revisando práticas internas, monitorando jornadas, fortalecendo liderança, criando documentação preventiva e utilizando dados para antecipar problemas.