LUIZ HENRIQUE DE ANDRADE TENDRESCH

Predictus

R$62 bilhões em dívidas ocultas: o risco na análise de crédito

Score alto e dívidas ocultas: o problema revelado pelo CNJ

Dívidas ocultas no Brasil deixaram de ser apenas um tema jurídico e passaram a expor uma fragilidade concreta na forma como empresas avaliam risco. 

A ordem do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, para que tribunais combatam a ocultação de dívidas colocou luz sobre um problema que afeta diretamente o mercado: cerca de 2,9 milhões de dívidas, somando R$62,1 bilhões, teriam ficado invisíveis em consultas públicas nos últimos anos.

Na prática, o que chama atenção não é só o tamanho do número.
O ponto mais grave é o efeito desse mecanismo sobre a tomada de decisão. 

Quando uma dívida continua existindo, mas deixa de aparecer em pesquisas por CPF ou CNPJ, o mercado passa a operar com uma visão incompleta do risco real. Foi exatamente por isso que o próprio corregedor descreveu o problema como um “apagão de dados” capaz de induzir credores a erro e fomentar a inadimplência sistêmica.

Além disso, o caso ajuda a desmontar uma crença muito comum no ambiente de crédito: a de que score alto, sozinho, basta para transmitir segurança. 

Vamos pensar no seguinte: se uma informação relevante some da consulta tradicional, o score pode continuar parecendo aceitável, enquanto o comportamento de risco continua existindo nos bastidores.

Por isso, a pergunta certa talvez não seja apenas “qual é o score?”.
A pergunta mais estratégica é outra: o que ainda não apareceu nessa análise? 

E quando falamos de crédito, informação incompleta costuma ser sinônimo de decisão equivocada.

O escândalo das dívidas ocultas no Brasil: o que aconteceu no caso dos R$62 bilhões

Primeiro, vale separar o impacto midiático do impacto estrutural. 

A notícia mostra que o CNJ determinou medidas imediatas para que tribunais de nove estados passem a coibir decisões que escondam dívidas de consultas públicas. A medida atinge cortes de São Paulo, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Alagoas, Ceará, Amazonas e Pará.

Agora, olhando para o mérito do caso, o problema vai além de uma irregularidade processual isolada.

A chamada “indústria limpa nome” usou decisões judiciais para camuflar dívidas e impedir que elas aparecessem em pesquisas de mercado. Com isso, 66 mil credores deixaram de enxergar a real situação financeira de seus devedores nos últimos cinco anos.

Em outras palavras, não estamos falando de dívida extinta.
Estamos falando de dívida existente, mas estrategicamente invisível. 

Além disso, há um elemento ainda mais sensível. Do total ocultado, R$20,8 bilhões eram dívidas com órgãos públicos. Isso mostra que o problema não afeta apenas operações privadas de crédito, mas também a transparência mínima esperada em análises que dependem de histórico financeiro confiável.

O problema para as empresas não é só a dívida. É a assimetria de informação.

Quando uma dívida é ocultada de consultas públicas, o mercado perde uma parte da visibilidade. Mas existe um lugar onde o comportamento financeiro costuma deixar rastro: os tribunais.

Processos judiciais contam histórias.
Histórias sobre inadimplência.
Sobre disputas contratuais.
Sobre conflitos financeiros.

E quando analisados em conjunto, esses dados revelam padrões.

Existe recorrência?
Existe volume?
Existe concentração em determinados tipos de ação?

Essas perguntas ajudam a responder algo que todo gestor quer saber: com quem exatamente eu estou fazendo negócio?

É justamente por isso que cada vez mais empresas passaram a incluir consultas judiciais na análise de risco.

Se você quiser entender como isso funciona na prática, pode testar gratuitamente a plataforma da Predictus.

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O que empresas mais experientes já perceberam

Empresas que lidam com crédito, compliance ou due diligence já entenderam uma coisa importante: score sozinho não basta. 

Ele continua sendo útil, claro. Mas é apenas uma peça da análise, não a análise inteira. Por isso, organizações mais maduras passaram a combinar diferentes camadas de informação, como:

  • score e histórico financeiro
  • dados de processos judiciais

E quando esse tipo de análise começa a entrar na rotina, alguns padrões ficam mais claros.

Por exemplo, entender se uma pessoa aparece com frequência no polo ativo ou no polo passivo de ações judiciais pode revelar sinais importantes sobre comportamento financeiro. 

Nós explicamos melhor esse tipo de leitura neste artigo sobre análise de risco jurídico no crédito com polo ativo e polo passivo.

Além disso, esse cuidado se torna ainda mais relevante em modalidades específicas de crédito. No caso do consignado, por exemplo, muitas instituições acabam confiando demais na previsibilidade da folha de pagamento e deixam de observar outros sinais de risco. 

Algo que exploramos com mais detalhes no conteúdo sobre risco no crédito consignado e como evitar inadimplência.

No fim das contas, análise de risco não é sobre encontrar uma resposta rápida.
É sobre reduzir a probabilidade de tomar uma decisão errada.

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