LUIZ HENRIQUE DE ANDRADE TENDRESCH

Predictus

Análise de risco de crédito: 70 milhões de nomes negativados

O cenário dos 70 milhões negativados e seus impactos estruturais na análise de risco de crédito

A análise de risco de crédito ganhou um novo nível de complexidade em 2025, quando o Brasil ultrapassou a marca de 70 milhões de nomes negativados. Esse número representou cerca de 43% da população adulta do país – um percentual que transformou a inadimplência em fenômeno sistêmico, e não apenas conjuntural.

O fato é, quando quase metade da base consumidora possui restrições, a análise de risco de crédito deixa de operar em ambiente estatisticamente confortável. O modelo precisa lidar com distorções estruturais.

Além do volume absoluto, os dados revelam nuances importantes:

  • O valor médio das dívidas negativadas gira em torno de R$4.100 por CPF.
  • Aproximadamente 60% dos inadimplentes possuem até dois registros negativos.
  • A maior concentração das dívidas está no setor bancário e em serviços financeiros, que somam mais da metade do total registrado.

Diante desses números, fica evidente que o risco não está distribuído de forma homogênea. Ele se concentra justamente nas áreas em que o crédito é mais ofertado – o que amplia a pressão sobre as instituições financeiras.

Os números te assustaram do ponto de vista técnico?

O impacto dos 70 milhões negativados não se resume ao consumidor inadimplente. Ele afeta diretamente o ciclo do crédito.

Primeiramente, menos pagamentos significam menor capacidade de reinvestimento e menor consumo. Consequentemente, há retração econômica e redução do giro financeiro.

Além disso, a elevação do volume de inadimplentes pressiona provisões, aumenta o custo de capital e força ajustes nas políticas internas de concessão.

Ao mesmo tempo, surge um efeito colateral relevante: o conservadorismo excessivo. Instituições passam a restringir crédito indiscriminadamente, o que pode excluir bons pagadores que enfrentaram eventos pontuais.

Portanto, o desafio deixa de ser apenas reduzir a inadimplência. O desafio passa a ser melhorar a análise de risco de crédito em ambiente distorcido.

Por que a análise de risco de crédito baseada apenas em score está limitada

Nesse contexto, antes de avançarmos para os impactos mais amplos, vale revisitar a base do modelo tradicional. A análise de risco de crédito no Brasil ainda depende fortemente de score, desenvolvido para estimar probabilidade estatística de atraso com base em comportamento agregado.

No entanto, o score não interpreta contexto jurídico, não identifica padrão de litigância e tampouco captura reincidência estrutural. Além disso, em cenários de inadimplência elevada, sua capacidade de segmentação tende a diminuir, pois a base histórica deixa de refletir a nova realidade do mercado.

Além disso, o score analisa o risco de forma isolada. Ele não considera vínculos societários, conexões empresariais ou exposição indireta em cadeias produtivas – fatores que se tornam decisivos em operações B2B e em modalidades como o crédito consignado.

Inclusive, já aprofundamos essa discussão em outros conteúdos do blog, como nos artigos sobre recuperação de crédito, análise de risco com polo ativo e polo passivo e risco no crédito consignado, que exploram limitações do modelo tradicional sob diferentes perspectivas.

O que os 70 milhões negativados revelam sobre risco estrutural

Quando ampliamos a lente para os 70 milhões de nomes negativados registrados em 2025, o debate deixa de ser individual e passa a ser estrutural.

Ao analisar com mais profundidade, alguns riscos passam a se destacar de forma mais clara:

1. Compressão da capacidade preditiva

Em primeiro lugar, com grande parte da base potencialmente negativada, modelos que dependem apenas de histórico financeiro perdem granularidade. A segmentação se torna menos eficiente, e a margem de erro aumenta.

2. Crescimento da complexidade jurídica

Além disso, o aumento da inadimplência eleva naturalmente o volume de disputas judiciais. Ações de cobrança, revisionais e recuperações passam a integrar o cenário com mais frequência.

Isso significa que o risco deixa de ser apenas financeiro e passa a ter dimensão processual e temporal.

3. Exposição relacional em cadeias produtivas

Paralelamente, empresas inadimplentes raramente operam isoladas. Elas mantêm vínculos com fornecedores, parceiros e financiadores. Quando um CNPJ entra em deterioração financeira, o impacto pode se espalhar.

Nesse contexto, a análise de risco de crédito precisa considerar conexões, e não apenas indicadores individuais.

4. Assimetria informacional ampliada

Ao mesmo tempo, com maior pressão sobre o crédito formal, cresce o uso de alternativas menos supervisionadas. Isso dificulta a leitura completa do risco e amplia lacunas de informação.

5. Judicialização como variável estratégica

Por fim, em cenários de inadimplência elevada, aumenta o número de execuções, disputas contratuais e processos de recuperação. Ignorar histórico judicial nesse contexto equivale a desprezar uma camada relevante de sinalização comportamental.

Inclusive, se você quiser avaliar na prática como o histórico judicial impacta a análise de crédito, é possível realizar um teste gratuito na plataforma da Predictus, com cinco consultas liberadas. Essa é uma forma simples de visualizar como dados processuais complementam e ampliam a leitura de risco.

Como adaptar a análise de risco de crédito após os 70 milhões de nomes negativados

É nesse ponto que a infraestrutura de dados judiciais ganha protagonismo – e é exatamente aqui que a Predictus vem sendo utilizada por instituições financeiras que precisam ampliar a profundidade da análise.

Na prática, isso permite:

  • Identificar execuções antes da concessão
  • Detectar recorrência de judicialização
  • Mapear conexões entre empresas e sócios
  • Classificar risco com base em padrão processual

A Predictus organiza mais de 750 milhões de processos judiciais em uma base estruturada, atualizada e pronta para leitura estratégica. Esses dados podem ser acessados tanto pela plataforma, para consultas e análises mais detalhadas, quanto por meio da API, que permite integração direta ao fluxo de crédito – automatizando a decisão sem aumentar fricção operacional.

Da inadimplência recorde à evolução do modelo de análise de risco de crédito

Ao final de 2025, os 70 milhões de nomes negativados não representaram apenas um número expressivo, mas um sinal claro de transição de cenário.

Agora, em 2026, a análise de risco de crédito precisa operar com mais profundidade, segmentação e inteligência contextual, incorporando múltiplas camadas de informação para reduzir incertezas.

Em um ambiente de alta inadimplência, instituições que evoluem seu modelo conseguem diferenciar inadimplência eventual de risco estrutural. A vantagem competitiva passa a estar na capacidade de interpretar comportamento – e não apenas registrar atraso.

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